Escrevo estas linhas na primavera de 2026, num momento em que a democracia americana atravessa a sua mais grave crise institucional desde a Guerra Civil. Donald J. Trump iniciou em Janeiro de 2025 o seu segundo mandato presidencial e, ao longo dos primeiros dezasseis meses, executou - com método e sem disfarce - boa parte do programa que o documento Mandate for Leadership (vulgo Projecto 2025) havia delineado em 2023. A purga do funcionalismo público de carreira, a militarização das fronteiras, a confrontação com tribunais federais, a reorganização punitiva do Departamento de Justiça, a guerra tarifária generalizada, a retirada efectiva da NATO em tudo menos no nome, o desmantelamento dos programas de assistência à Ucrânia e a normalização de relações com regimes autocráticos - tudo isto deixou de ser hipótese de pesadelo e passou a ser quotidiano constatável.
Não escrevo, portanto, sobre uma ameaça. Escrevo sobre uma realidade já em curso. E escrevo enquanto cidadão português e europeu, consciente de que aquilo que ocorre na maior democracia do mundo não é matéria estrangeira, mas problema doméstico. Portugal vive hoje, como toda a União Europeia, sob o impacto directo das opções